Os bebês têm chorado por séculos no momento de seus nascimentos, mas nós temos relutado em aceitar seus gritos como expressões válidas de dor, que serão registradas em suas memórias. Apesar das várias evidências, a reação característica de psicólogos, médicos e parteiros em relação à dor do bebê é negá-la. Mitos sobre o cérebro têm suprido a base racional para o procedimento doloroso. Contra esse pano de fundo, estudos sobre o choro do bebê provam que o choro é significativamente uma comunicação. Exemplos de choros pré-natais e perinatais foram examinados. A seção final aborda a dor na sala de parto e no berçário e conclui com um apelo para que todos os procedimentos dolorosos impostos ao recém-nascido sejam reconsiderados.

    Minha neta Bevin, de dois anos de idade, enquanto conversava sobre sua experiência de nascimento, perguntou a seus pais: "Por que eles me cutucaram com uma coisa?" Sua mãe lhe perguntou: "Que coisa?" "Uma coisa como um lápis", ela respondeu, "Eles me machucaram". Ela estava provavelmente se referindo à agulha usada para tirar amostras de sangue dos recém-nascidos na maternidade. Bevin se lembrava da dor. Brenda, de 29 anos, quando hipnotizada, teve a seguinte memória dolorosa da sala de parto:

    "Agora ela está me arrancando das mãos do médico e me deitando nessa balança de metal fria, gelada, horrivelmente dura. É tão reto e duro nas minhas costas. E eu estou gritando porque dói muito! Dói tanto estar nessa coisa dura... Eu grito mais e mais e ninguém vem. Alguém pôs alguma coisa nos meus olhos! Está tão frio, me arde, queima... Eu ainda estou gritando... O mais alto que posso gritar!"
    Tais informações pessoais sobre a dor no nascimento são novas. Será que nós ousamos acreditar nelas? Os bebês têm chorado no nascimento por séculos, mas nós temos tido dificuldade em dar significado ao seu choro. Um choro vigoroso na sala de parto é um alívio para ambos os pais e profissionais, e ocasião para sorrisos. Isso é compreensível, mas não totalmente apropriado. Ao invés de responder ao choro como autêntica comunicação, os profissionais da maternidade têm procedido na direção de causar a dor com a convicção de que ela é meramente reflexiva, devido à imaturidade do cérebro do bebê, e dessa forma a dor não deve realmente importar.

                             A negação da dor

     
Por milhares de anos a ignorância tem nos separado de uma compreensão efetiva dos bebês, uma lacuna de informação que tem sido preenchida apenas nas últimas décadas. Antigos preconceitos ainda são visíveis em nossas atitudes em relação às suas idades ou tamanhos - eles se tornam pessoas reais quando são mais velhos ou podem falar. Subestimando a evidência em contrário, ainda persistimos em acreditar que seus sentidos não são suficientemente desenvolvidos e seus cérebros são incapazes de gravar a memória ou de dar significado à experiência.
    O ceticismo sobre a dor do bebê pode começar a cair por uma ampla revisão da dor e seus efeitos em pré-natais e recém-nascidos, por Anand e Hickey (1987), da Harvard Medical School. Das 200 citações da literatura médica, estes médicos especificam os caminhos anatômicos e os mecanismos de percepção da dor a partir da sétima semana de gestação. Eles apontam para as origens remotas do sistema neuroquímico associado à dor, especialmente a substância P que aparece no cérebro e na medula espinhal na 12ª a 16ª semana.
    Endorfinas, o opiáceo corporal para o stress, estão presentes na pituitária fetal antes da 15ª semana. (Um estudo de Facchinetti em 1987 encontrou essas substâncias a partir da 7ª semana de gravidez.) Para aqueles que acreditam que esses opiáceos são suficientes para a dor do nascimento, os anestesistas enfatizam que para uma anestesia efetiva seria necessário um volume milhares de vezes maior de endorfina do que aquele já encontrado em recém-nascidos.
     Anand e Hickey completam sua revisão destacando o previsível e consistente efeito da dor no sistema cardiorrespiratório, nas mudanças hormonais e metabólicas, respostas motoras, expressões faciais, choro e outros comportamentos complexos, incluindo memória de longa duração.

                              O choro é comunicação

    Depois de 25 anos de investigação com tecnologia acústica, nada mais ficou da antiga teoria de que o choro do bebê é simples, despropositado ou indiferenciado. Lester e Boukydis (1985) revisaram diversos achados sobre o choro do bebê. O choro contém informações inesperadas, mas eloqüentes sobre doenças, má nutrição, malformação e outros problemas de crescimento. O choro revela deficiências auditivas e também prova que o feto ouve e aprende um pouco das características da voz da mãe a partir da metade da gestação (Truby, 1965, 1975); também nos possibilita avaliar o grau de ansiedade do bebê (Papousek, Papousek & Koesterer, 1986).

                                   O choro pré-natal

    Estranhamente, o choro audível começa muito antes do nascimento, às 40 semanas. Os primeiros choros gravados são de fetos abortados de 21 a 23 semanas (Humphrey, 1978). Isso significa que um bebê é capaz de chorar desde a metade do tempo que permanece no útero. O choro tem sido ouvido vindo de dentro do útero. Essa condição, vagitus uterinus (literalmente, "berro no ventre"), é rara mas autêntica. Histórias sobre tais berros tem sido contadas desde o antigo Egito, Grécia e Roma. Em 1923, um médico americano, George Ryder, ouviu o som de um bebê chorando após ter aplicado a tração do fórceps. Ouvindo via estetoscópio, seu assistente e enfermeiros disseram que os sons eram "fortes e agudos, muito semelhantes ao miado de um gatinho". Esse evento nos leva a uma pesquisa literária mundial e à descoberta de vários relatos, em várias línguas: 131 casos entre 1564 e 1941, assinados por 114 autores. As análises desses registros mostraram que o choro estava sempre associado a procedimentos obstétricos. Cerca de 20% dos pré-natais que choraram morreram, indicando a natureza de urgência desses choros (Ryder, 1943). Oito relatos adicionais, publicados desde 1941, não nos deixam dúvidas sobre a expressão da dor e quem ou o que a estava causando: uma mão entrando no ventre e trazendo uma perna, a aplicação de um fórceps, injeção de analgésicos, inserção de um cateter ou a ruptura da bolsa amniótica. Em um caso específico, uma mãe, dois médicos e três parteiras ouviram o choro de um bebê em 5 momentos diferentes num período de 12 horas, antes do início do trabalho de parto (Blair, 1965). Eles descreveram essa experiência como estranha e assustadora.

                                     Queixas perinatais

    Os bebês são famosos por seus choros no nascimento. O choro é normal? Alguns bebês não choram e ao invés disso olham fixamente para seus pais, com total concentração. Será que não têm queixas? Os bebês choram quando chegam à sala de parto, muitos graus mais fria do que estavam acostumados no útero. Eles choram quando são esfregados ou lavados, ou quando estão sendo esticados e medidos. Eles reclamam quando recebem injeções (Vitamina K) e colírio nos olhos (antibacteriano). Eles reagem a picadas na pele. O ritmo do choro e os batimentos cardíacos disparam quando são picados para o teste de sangue (Owens & Todt, 1984). Meu cliente, Josh, aparentemente desenvolveu sua fobia por agulhas hipodérmicas no berçário. Foi assim que se lembrou na hipnose: "Eu estou sendo incomodado pela enfermeira. Ela sempre vem, tira minha temperatura e tira sangue. Eu gostaria que ela apenas me deixasse sozinho. A outra coisa que está incomodando é a picada. Aquilo foi o mais doloroso... Eu vejo a enfermeira se debruçando sobre mim. Ela tem essa coisa afiada, com algo dentro. Ela tirou a embalagem e ficou testando se havia bolhas dentro. Ela esfregou meu braço esquerdo com algo e me espetou. Doeu! E eu não estava preparado para aquilo e então fiquei bem tenso e gritei. Isso realmente me incomodou e eu chorei por muito tempo depois."
    Uma outra dimensão de dor, a dor da separação e isolamento, também provoca choro e é um tema comum nas memórias de nascimento. Estudos nos dizem que os recém-nascidos reconhecem seus próprios choros gravados, mostrando autoconsciência. Outros estudos mostram quão perceptivos são de outros choros. Bebês choram com e aparentemente por outros bebês (Sagi & Hoffman, 1976). Eles também discriminam choros de bebês com a mesma idade que as suas e de bebês mais velhos, bebês animais e choros simulados por computador. Eles tem uma maior tendência a se identificar com choros de bebês da sua própria idade (Simner, 1971). Os bebês tem choros diferentes quando estão chateados ou famintos. Eles choram após o teste do pezinho (Grunal & Craig, 1987).
    O pediatra Peter Wolff, em sua contínua observação de recém-nascidos em seus ambientes familiares, identificou um "choro de dor" e um "choro de raiva" (Wolff, 1969). Em cada lar ele conduziu um experimento gravando esses diferentes choros e percebendo o tempo de resposta das mães e suas atitudes. Ele encontrou uma diferença dramática. Aos "choros de dor" as mães atendiam rapidamente, parecendo bastante preocupadas. Nos "choros de raiva" elas vinham checar, mas não pareciam alarmadas; elas expressavam um tolerante espanto a essa precoce expressão de fúria.

                    O nascimento precisa ser doloroso?

    Alguns psicólogos acreditam que todo nascimento é uma provação dolorosa. Eles atribuem a dor a uma placenta "decadente", que se torna menos eficiente à medida que o parto se aproxima, à pressão esmagadora sobre a cabeça movendo-se através do canal do nascimento, e finalmente à separação da mãe (Wasdell, 1987). De fato, expressões da dor do nascimento realmente surgem com uma regularidade angustiante em várias formas de psicoterapia experiencial profunda (Grof, 1988; Janov, 1970). Essa dor primal, dita reprimida e inconsciente, não se encaixa facilmente com as expressões pacíficas de alguns rostos recém-nascidos.
    Frédérick Leboyer, o famoso obstetra francês, foi um dos primeiros da sua profissão a acreditar que os bebês estavam sentindo, de fato, tanta dor quanto pareciam sentir. Olhos fortemente fechados, sobrancelhas contraídas, berros e contorções, esperneios, punhos cerrados e corpo trêmulo, eram para Leboyer sinais de agonizante sofrimento. Influenciado por essas observações e pelas suas próprias lembranças da dor do nascimento, ele começou a modificar o ambiente do nascimento. À medida em que aprimorava seu método de nascimento sem violência, ele percebia as expressões de terror e tensão desaparecerem.
    Outras evidências de que o nascimento não precisa ser doloroso foram reunidas pelo professor de obstetrícia John Lind, em Estocolmo (Lind, 1978). Ele havia assistido milhares de partos e não conseguia acreditar que todos os bebês nascessem dolorosamente. Para confirmar isso ele fotografou 130 bebês nascidos pelo Método Leboyer e encontrou neles poucos sinais de dor ou medo - ao contrário, muitas faces sugeriam curiosidade e grande expectativa. Desde então, relatos de bebês sorridentes após o nascimento na água vêm reforçando a impressão de que o nascimento pode ser prazeroso. Mas o nascimento habitual não é assim. É uma ironia que a "medicinalização" do nascimento o tenha tornado mais doloroso para os bebês.
    A partir do parto, os (bem desenvolvidos) sentidos de um recém-nascido são violados de todas as formas. Nos hospitais, o parto natural dificilmente sobrevive à série de bem-intencionadas interferências. A ruptura deliberada de membranas eliminará a cobertura hidráulica que protege a cabeça; a posição litotômica* anulará o efeito da gravidade e dificultará o progresso do parto. As complicações podem ser avaliadas com a implantação de eletrodos no couro cabeludo e através de amostras de sangue retiradas de um corte na cabeça. Se substâncias químicas descontrolaram os processos normais do parto, talvez o bebê precise ser movimentado com força e removido por fórceps. Se essas dores não estiverem presentes, nascer numa sala de parto com ar-condicionado e sob intensa luz, será a primeira de uma série de experiências dolorosas: ser rudemente manuseado, esfregado, medido e pesado; a dor aguda da medicação nos olhos, o trauma da injeção de vitamina e da lanceta no calcanhar. Mesmo um bebê nascido em paz e contente deve ser provocado a chorar a fim de obter um Índice Apgar** adequado.
    As dores da sala de parto são normalmente seguidas das dores do isolamento e separação dos pais. Esse exílio pode durar horas. Se estiverem famintos, os bebês terão de esperar; se eles quiserem se mover ou virar, não conseguirão; se eles quiserem ouvir ou ver seus pais, será impossível. Os bebês são retirados de seus pais em nome da saúde, para receberem "os melhores cuidados". Mas os riscos reais de irem para o berçário envolvem mais do que lágrimas, como sumarizado por Brackbill, Rice and Young, 1985. Os bebês doentes e prematuros, os mais vulneráveis de todos, estão destinados a agüentar as maiores dores. Numa UTI neonatal eles terão de enfrentar os perigos de tentar completar uma gestação num ventre artificial (Kellman, 1980; Lawson, Turkewitz, Platt & McCarton, 1985; Coolman et al., 1985; Perlman & Volpe, 1983).
    Uma ampla revisão do stress ambiental numa UTI neonatal foi realizada por Gottfried & Gaiter, 1985. Estímulos dolorosos incluem altos níveis incessantes de luz e barulho, que por si só podem ser prejudiciais (Glass, Avery, Subramanian, Keys, Sostek & Friendly, 1985; Douek, Bannister, Dodson, Ashcroft & Humphries, 1976; Long, Lucey & Phillip, 1980). Ainda que esses bebês despenderiam a maior parte do seu tempo dormindo, o descanso é impossível nesse ambiente pois eles podem ser incomodados até 132 vezes por dia! Ser virado pode ser um forte puxão. Mesmo estar deitado sobre um colchão achata a cabeça. A dor é o estilo de vida dos bebês em terapia intensiva. Cateteres na artéria umbilical e cateteres em veias são rotineiramente instalados para fornecerem acesso permanente a amostras de sangue, monitorização de pressão e injeção de medicamentos. Outros cateteres são instalados para alimentação. Tubos e máquinas facilitam a respiração. Todos esses procedimentos estão sujeitos a uma multidão de complicações com conseqüências dolorosas. Mesmo o álcool isopropílico utilizado para a desinfecção da pele, antes de injeções ou procedimentos invasivos podem causar queimaduras de terceiro grau em bebês muito imaturos (Peabody & Lewis, 1985).
    A dor infantil é emocional e mental, bem como física. Mais difíceis de se medir do que a exposição à luz e ao frio, essas dores aparecem comumente nas memórias de adultos, obtidas através de hipnose. Impressas em nível profundo e inconsciente, elas se manifestam como depressão, fobias, falta de confiança e sentimentos de culpa, requerendo psicoterapia, anos mais tarde (Cheek, 1975; Janov, 1983). A rejeição aos recém-nascidos por suas feições ou sexo, hostilidade por eles causarem dor ou dificuldades financeiras, medos em relação à sua segurança e bem-estar podem criar seu próprio tipo de dor. Mesmo observações verbais transmitidas com intensidade emocional podem ficar profundamente registradas e causar repetidos sofrimentos (Chamberlain, 1988). Um exemplo é a mãe que disse ao seu médico: "Por que você não enrola o cordão umbilical em torno do pescoço dela e a estrangula?" A filha disse que "odiava a mãe desde o primeiro dia." Embora seja difícil explicar a compreensão infantil da linguagem, o efeito doloroso de tais observações freqüentemente aparecem em lembranças hipnóticas do nascimento.
    As conseqüências patogênicas na personalidade da criança sugerem a necessidade de um anti-séptico novo e mais elevado que o lavar as mãos que começou com Phillip Semmeleweis há um século e meio atrás. A julgar pelas memórias de nascimento, ambos pais e profissionais necessitam "lavar" seus procedimentos.
    O que nós podemos fazer com a dor e o sofrimento do recém-nascido? Algumas dores podem ser parte de um processo natural que esteja além do nosso controle. Se isso for verdade, nós devemos estar alerta à sua chegada e prover o auxílio que pudermos. Para isso precisamos acabar com o mito de que os bebês não sentem dor. Alguma dor parece inevitável, mas não é. Isso é freqüentemente revelado por mulheres cujo parto foi "fisiológico" ou "natural": um parto em ambiente familiar, com apoio constante, liberdade para se mover, ficar na posição que se sentir melhor e fazer o som que desejar. Essa liberdade parece diminuir as dores tanto do bebê quanto da mãe. Os nascimentos voltados à família, dentro ou fora dos hospitais, incluindo a opção de trabalho de parto e parto em água quente, reduz o trauma materno e da criança. Nós podemos ver isso estampado no rosto dos bebês. Nós não devemos aceitar que a dor do bebê no parto seja inevitável.
    Uma responsabilidade muito pesada recai sobre os profissionais que tornam o parto doloroso para os recém-nascidos. Aqui nós confrontamos não a dor da natureza, mas a dor criada pela ciência, pela obstetrícia e pela psicologia. Nós ainda estamos escravizados pelos mitos populares de que os bebês não sentem, não pensam, não lembram e não têm percepção de si mesmos. A verdade sobre as capacidades dos recém-nascidos, vislumbradas na descoberta científica das duas últimas décadas, nos deixam prontos para escandalosamente insistir que os rituais de dor são desumanos e desnecessários. Aqui nós nos deparamos com a inércia cultural entre aquilo que sabemos e aquilo que fazemos.
    Todos os procedimentos dolorosos do nascimento devem ser reconsiderados e novas alternativas pacíficas devem ser procuradas. Quantos anos ainda de dores desnecessárias os recém-nascidos terão de suportar? A resposta talvez dependa de quem assuma a responsabilidade. Será que os obstetras, como um grupo, conscientemente inventariam uma nova forma de lidar com os bebês? Alguns profissionais já estão realizando isso, mas criar novos padrões para a prática profissional demandará um esforço dedicado. Essa nova abordagem afetaria o treinamento dos obstetras assim como a prática da obstetrícia, representando melhorias acontecendo em várias áreas ao mesmo tempo. Os próprios pais podem ser os guias para uma nova era de nascimentos, estabelecendo novos padrões de tratamento para os bebês. Afinal, de quem são esses bebês? Os pais sempre têm a vantagem de poder fazer o primeiro movimento - como consumidores, são eles que decidem onde vão ter o bebê e quais profissionais vão contratar. A presente situação é um teste para descobrirmos se os pais ou os profissionais podem reagir mais rapidamente às nova informações.

David B. Chamberlain
Pre and Perinatal Psychology Journal (Summer, 1989)
Tradução de Khalis Chacel e Tárika Lima

Para você se aprofundar

Os bebês se lembram da dor

    Apresentaremos a seguir diversas relações entre as experiências de nascimento e os padrões de comportamento que tendem a se manifestar ao longo da vida. É muito importante mantermos em mente que cada um de nós tem um nascimento único e que, portanto, o que apresentaremos a seguir é apenas uma base de entendimento para a correlação nascimento/padrão de comportamento e não deve ser tomado como regra fixa.

Parto Natural: como o entendemos aqui, é o menos freqüente de todos os tipos de parto. Caracteriza-se por condições ideais de recepção ao novo ser que está chegando: respeito pelo tempo do bebê, penumbra, ambiente aquecido, silêncio ou apenas suaves sussurros, contato imediato com o peito da mãe e manutenção do cordão umbilical até que este pare de pulsar. Essas condições e condutas proporcionam sentimentos de segurança e acolhimento, confiança na vida, aceitação dos momentos de transformação, tendência ao prazer, associação respiração/vida, entre outras possibilidades.

Parto Vaginal ou Normal: nascimento via vaginal - mãe e filho participam do processo (considerando que não haja indução, anestesia geral ou peridural, etc). O corpo do bebê é massageado na passagem, criando um maior contato e intimidade mãe/bebê. Não necessariamente é um parto realizador. Podem ocorrer sentimentos abandono, desimportância, perda de segurança, hipersensibilidade a sons, entre outras possibilidades (as condições de parto em hospitais, e muitas vezes mesmo em casa, freqüentemente não são aquelas descritas no parto natural. Esses ambientes normalmente são barulhentos, agitados, excessivamente iluminados, etc).

Parto Cesárea: o bebê é retirado através de cirurgia abdominal, não passando pela vagina e assim desenvolvendo em geral dificuldade com intimidade. Culpa (pelo trauma cirúrgico) e raiva (sentimento de que algo lhe foi negado) em relação à mãe. Pode também apresentar tendência a não completar seus objetivos.
    Cesárea não marcada: o bebê inicia o trabalho de parto, mas por alguma razão decide-se pela cesariana. Possibilidades: além do descrito acima, sentimentos de incapacidade, crença na "mão salvadora" (tendência a acreditar que alguém ou alguma coisa virá salvá-lo em situações difíceis), entre outras.     Cesárea marcada: a cirurgia é marcada com antecedência e o bebê não participa do início do trabalho de parto, muitas vezes sendo retirado dormindo. Possibilidades: além do descrito acima, sentimentos de que seu tempo não é respeitado, crença na "mão invasora" (tendência a acreditar que alguém ou alguma coisa virá invadir seu próprio espaço), entre outras.

Parto com Fórceps: o bebê é retirado com o auxílio de grandes "pinças" (fórceps). O local de contato com o fórceps permanece hipersensível. Possibilidades: associação amor/dor. Conflito entre sentir que precisa de ajuda e um forte desejo de ser independente, pois "lembra-se" de que a ajuda é dolorosa.

Circular de Cordão: o bebê apresenta uma, duas ou três voltas de cordão umbilical no pescoço ou em outra parte do corpo - isso dificulta ou até impede sua saída. Possibilidades: medo da vida e do mundo exterior, tendência a fazer "tempestade em copo d'água", associação vida/morte, recriando freqüentemente situações de ameaça à vida para sentir-se vivo. Hipersensibilidade no pescoço (rejeição a gola alta, colares, gargantilhas, etc), problemas de garganta, dificuldade com a fala, entre outras.

Parto Prolongado: em geral, o parto que dura mais de 6 a 8 horas. Possibilidades: crença de que as vitórias ou conquistas na vida só acontecem acompanhadas de muito esforço, associação luta/sucesso, entre outras.

Parto Rápido: em geral, o parto que dura menos de 3 a 4 horas (há também o "parto em avalanche", ou seja, imediato). Crença no imediatismo e realizações rápidas, impaciência e intolerância com a espera, tendência a hiperatividade, dificuldade em aceitar ajuda e crença na auto-suficiência são algumas das possibilidades.

Parto Obstruído ou Parada de Progressão: o parto progride normalmente até um certo ponto e depois, por alguma razão, não progride mais. Possibilidades: dificuldade de avançar na vida. Sentimento de que as coisas nunca se resolvem. Inicia e pára ou recua várias vezes antes de completar algo.

Parto Prematuro: o bebê nasce antes de completar o período normal de gestação. Possibilidades: dificuldade em lidar com horários e com o tempo em geral. Sensação de vulnerabilidade e desproteção. Devido ao provável período numa incubadora, dificuldade em perceber variações sutis de temperatura e dificuldade de contato com as pessoas (preferindo muitas vezes ficar só, recriando um "útero artificial" à sua volta). Às vezes apresenta grande interesse (ou repulsa) por máquinas e aparelhos diversos.

Parto Tardio e/ou Pós-maturo: o bebê permanece no útero após o período normal de gestação. Se a placenta for suficiente para os requerimentos fetais ocorre apenas o pós-datismo (tardio). Se ela é insuficiente, o bebê emagrece e pode ter restrições de nutrientes (pós-maturo), podendo acarretar danos de maior ou menor gravidade. Algumas possibilidades: assim como os prematuros, tem dificuldade em lidar com horários e com o tempo em geral. Sentimento de que as pessoas ou situações de vida o "sufocam".

Parto com Anestesia: há diversas formas de anestesia, sendo que as mais comuns são a peridural e a raquidiana. Como a parte inferior do corpo da mãe fica anestesiada, ela não participa ativamente do parto (em maior ou menor grau, dependo da dose). Possibilidades: sentimentos de desconexão, memória seletiva, tendência ao abuso de medicamentos ou drogas, dificuldade em tomar decisões, apatia, crença de não poder contar com a mãe. Caso a mãe tenha recebido anestesia geral, tendência a depressão e problemas respiratórios.

Parto Induzido: o trabalho de parto é induzido pela injeção extra de oxitocina (sintética), um hormônio que produz contrações uterinas (a mãe naturalmente já secreta esse hormônio em sua circulação, durante o trabalho de parto). Possibilidades: aversão ou compulsão por horários, agressividade, obstinação, introversão, sensação de que os outros decidem por ele, e por isso não se comprometem plenamente com a vida, entre outras.

Bebê Roxo ou Branco: por alguma razão o bebê experimenta deficiência aguda (roxo) ou crônica (branco) de oxigênio. Possibilidades: tendência à escassez: pouco amor, poucas condições materiais, pouca diversão, etc.

Gêmeos: dois ou mais bebês no mesmo útero. Algumas possibilidades: tendência à competição por amor ou atenção. Em geral, o primeiro a nascer desenvolve culpa e conseqüente superproteção em relação ao(s) outro(s) e o último desenvolve sentimentos de raiva, tristeza e abandono. Ambos precisam de outra pessoa para se sentirem completos e, em oposição, necessidade premente de privacidade.

Apresentação Córmica: Ao invés de estar com a cabeça no assoalho pélvico, o bebê está deitado de lado (atravessado). É uma situação que, nos dias de hoje, sempre termina em cesariana. Possibilidades: freqüentemente queixam-se de estarem indo em direções equivocadas na vida. Dificuldade de orientação, dores corporais, excesso de movimento, aversão à manipulação, entre outras.

Apresentação Pélvica: O bebê está sentado. Às vezes, o primeiro membro a sair é um ou os dois pés, um ou os dois joelhos, e às vezes as nádegas. Possibilidades: tendência a tornar as coisas mais difíceis do que são, ou fazê-las ao contrário, começando de trás para frente. Rejeitam ajuda.

Apresentação Facial: O bebê está com o rosto e não com o topo da cabeça no assoalho pélvico, ou seja, o pescoço está completamente flexionado para trás. Possibilidades: tendência à precipitação e medo, ou vergonha e necessidade de se sentir exposto, de ser criticado, de "dar a cara para bater".

    É importante observar que a situação familiar em que se encontra o recém-nascido contribuirá também para determinar os padrões que irão se desenvolver ao longo de sua vida. Se é o primeiro, segundo ou terceiro filho; se estava sendo esperado; qual o sexo esperavam que fosse; se foi um bebê planejado ou imprevisto. Se aconteceram outros abortos antes da sua concepção ou se houve tentativa de aborto durante a gestação; se houveram mortes próximas (ambiente de luto à sua chegada). A situação emocional, financeira, etc, dos pais; se o ambiente é pacífico ou violento; se os pais (em especial a mãe) fazem uso de drogas, etc.
    As situações são infinitas e não cabe aqui enumerá-las ou descrevê-las em detalhe. O que consideramos mais importante é que se aprenda a observar e a correlacionar as situações de concepção, gestação, nascimento e pós-parto com atitudes de vida (padrões).

                    Pontos a Serem Relembrados

    O que acabamos de apresentar aqui são tendências e não regras.
    Cada um de nós tem um nascimento único, que é, via de regra, uma combinação de muitas dessas condições.
    Devido ao excesso de cesarianas realizadas hoje em dia (de 80 a 90% dos nascimentos na rede privada), torna-se muitas vezes difícil correlacionar os tipos de nascimento com os padrões de comportamento. Ainda assim, os padrões originais permanecem presentes, junto aos da cesárea.
    Os padrões e tendências apresentados acima podem ser expressos diretamente (como acabamos de descrever), ou de forma exageradamente oposta, o que conhecemos como "sobrecompensação".
    

                                          
Khalis Chacel e Tárika Lima
     Coordenadores do Instituto de Renascimento de São Paulo
                                               info@renascimento.com.br

Nascimentos e padrões

1. Receber informações sobre a gravidez e escolher o parto que deseja.

2. Conhecer os procedimentos rotineiros do parto.

3. Não se submeter a tricotomia (raspagem dos pêlos) e a enema (lavagem intestinal), se não desejar.

4. Recusar a indução do parto feita apenas por conveniência do médico (sem que seja clinicamente necessária).

5. Não se submeter à ruptura artificial da bolsa amniótica - procedimento que não se justifica cientificamente - podendo a gestante recusá-lo.

6. Escolher a posição que mais lhe convier durante o trabalho de parto.

7. Não se submeter à episiotomia (corte do períneo), que também não se justifica cientificamente, podendo a gestante recusá-la.

8. Não se submeter a uma Cesárea, a menos que haja riscos para ela ou o bebê (o que pode ocorrer, estatisticamente, em torno de 20% dos casos, embora o índice de Cesáreas na rede hospitalar privada, no Brasil, esteja em torno de 90% e na rede pública em torno de 30%).

9. Começar a amamentar seu bebê sadio logo após o parto.

10. A mãe pode exigir ficar junto com seu bebê recém-nascido sadio.
                                      
Organização Mundial de Saúde

Os Direitos da Gestante
Os Cinco Elementos do Renascimento

Os bebês se lembram da dor
Os Direitos da Gestante

Nascimentos e padrões
Integração
Os Cinco Elementos do Renascimento

    * Posição na qual as coxas ficam flexionadas sobre a barriga e as pernas flexionadas sobre as coxas.
(Nota dos Tradutores)

    ** O Índice Apgar é em última análise uma avaliação da oxigenação do recém-nascido. É um sistema de pontos que leva em consideração o tônus muscular, a freqüência cardíaca, a intensidade do choro, etc.
(Nota dos Tradutores)

     Selecionamos aqui alguns textos para você. Pedimos a gentileza de não reproduzir esse material ou parte dele sem a autorização prévia e por escrito do webmaster ou dos respectivos autores. Periodicamente adicionaremos novos artigos.

    Logo que o Renascimento foi criado, seus efeitos não eram de todo conhecidos e os Renascedores não sabiam muito bem como descrever cada uma das etapas do processo. Ainda assim, a partir dos seus resultados e do bem-estar que se instalava ao final de uma sessão, costumava-se usar o termo "liberação" para descrever os efeitos que a técnica produzia.
    Não se sabia ao certo o que exatamente provocava a "liberação", mas freqüentemente o processo era vago, ineficiente e desnecessariamente doloroso. Hoje sabemos que o que promove a sensação de êxtase, bem-estar e amplitude, não passa pelo sofrimento. Ao contrário, uma sessão de Renascimento quando bem conduzida é muito prazerosa. Atualmente nos referimos ao resultado conquistado em uma sessão como "Integração". Integrar é tornar consciente algo que você recriminou ou suprimiu, mas que agora é aceito, não mais recriminado.
    A palavra "liberação" implica em largar algo ruim. Mas pensar que algo ruim precisava ser eliminado é o que iniciou a supressão. No processo de Integração, não precisamos "voltar" ao episódio original onde aconteceu a supressão. Eventualmente a memória do fato ocorrido acontece, mas não necessariamente ela virá. Isso é irrelevante para a produção do resultado.
    Na prática, a integração acontece quando você se entrega à sua experiência tal como ela realmente é. Você sente que integrou algo quando nota que não mais resiste a ele. Ou ele desaparece completamente ou permanece presente, mas você o desfruta e não há mais resistência.
    Sentimentos como raiva e frustração são constantemente desviados da nossa atenção, recriminados. Se ao invés de gastarmos nossa energia evitando que os sentimentos surjam e, ao contrário, trouxermos toda a nossa atenção para as sensações que acontecem no nosso corpo a partir desses sentimentos, teremos uma grande chance de integrá-los. A aceitação e celebração do que quer que esteja acontecendo ao nosso redor sempre provoca um grande aumento de vitalidade no corpo físico. Através do Renascimento podemos transformar resistência em entusiasmo.

                                          
Khalis Chacel e Tárika Lima
     Coordenadores do Instituto de Renascimento de São Paulo
                                               info@renascimento.com.br

    Tudo aquilo que algum dia você rejeitou ou recriminou, está guardado no seu sistema como um conteúdo reprimido (tensão mental e corporal), esperando que você lhe dê atenção e o integre ao seu bem-estar.
    Através do Renascimento podemos eficientemente integrar esses conteúdos usando as sensações físicas para obter acesso ao nosso Inconsciente. Descrevemos Os Cinco Elementos como o check list do Renascimento. Quando todos os elementos estiverem presentes, a Integração deve ocorrer.
    Jim Leonard (não confundir com Leonard Orr), o elaborador dos Cinco Elementos, disse: "o período de tempo que se inicia com o começo da respiração circular e termina com uma integração é conhecido como um "Ciclo Respiratório". Uma das maneiras de descrevermos a diferença que os Cinco Elementos exercem no Renascimento é dizer que seu uso encurta o Ciclo Respiratório. Quando os Cinco Elementos são usados com perícia, cada ciclo respiratório pode ter apenas alguns segundos de duração".
    
Um conteúdo pode e deve ser integrado conforme vai surgindo, desde o início, quando ainda está num nível sutil. Se não for integrado nessa fase inicial, vai deixando de ser sutil, vai se tornando mais e mais intenso, até que sejamos forçados a nos entregarmos a ele. Se os Cinco Elementos não são usados, a "entrega forçada", será o método para se conseguir alcançar a integração (infelizmente muitos Renascedores não conhecem em detalhe ou não aplicam os Cinco Elementos - trabalham apenas com o primeiro e suas sessões costumam gerar sofrimento). A integração a nível sutil (com o conhecimento e o uso dos Cinco Elementos), promove sensações de conforto e segurança no Renascimento.
    Apresentamos a seguir, de forma bastante resumida, os Cinco Elementos:

               Primeiro Elemento: Respiração Circular

    Significa que o ar entra e sai pela mesma via (boca ou nariz, e que a respiração acontece sem solavancos, sem pausas - mal termina uma fase (inspiração ou expiração), já começa a outra e elas têm a mesmo duração. Ênfase na inspiração e no relaxamento da expiração.

               Segundo Elemento: Relaxamento total

    Significa que não há qualquer controle sobre a expiração, aproveitando cada uma delas para permitir que o corpo e a mente se entreguem e se soltem mais e mais profundamente.

             Terceiro Elemento: Consciência Detalhada

    Significa estar presente e percebendo cada sensação do corpo, emoção surgindo, sentimento, imagem, pensamento, som, diálogo interno, etc.

              Quarto Elemento: Integração ao Êxtase

    Significa não lutar contra nada, mas sim permitir que tudo se expresse em você - sem ajudar, sem atrapalhar, apenas dando as boas vindas a tudo o que acontece, da forma como acontece. Este elemento induz a mente a experimentar extaticamente (são na verdade um amplo conjunto de reconhecimentos, como por exemplo, reconhecer que "é muito melhor esse conteúdo estar vindo à tona agora, que estou respirando numa sessão de Renascimento, do que amanhã, quando estarei falando em público").

       Quinto Elemento: Faça o que fizer, sempre funciona

    Significa que não há uma respiração errada - mesmo que você faça uma respiração bem diferente da do renascimento, pouco eficiente em termos de integração, ainda assim algo em você irá se integrar. É um elemento que gera relaxamento, pois é necessária uma certa prática para se estar atento a todos os quatro primeiros elementos.

Khalis Chacel e Tárika Lima
     Coordenadores do Instituto de Renascimento de São Paulo
                                               info@renascimento.com.br

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